ARTIGO - Quando o autocuidado começa pela escuta do corpo feminino
Durante muito tempo, o autocuidado foi associado apenas a práticas estéticas ou momentos pontuais de descanso. No entanto, cada vez mais se compreende que cuidar de si vai além do físico: envolve escutar o corpo, reconhecer emoções e acolher histórias que ficaram guardadas em silêncio.
Muitas mulheres, ao longo da vida, precisaram ser fortes demais. Assumiram múltiplas responsabilidades, sustentaram famílias, cuidaram de filhos, trabalharam intensamente e, muitas vezes, silenciaram suas próprias dores para seguir em frente. Esse silenciamento, embora necessário em determinados momentos, não desaparece — ele se registra no corpo.
Do ponto de vista terapêutico e integrativo, compreende-se que o corpo não separa dor emocional de dor física. Experiências como lutos não elaborados, perdas, abortos, violências, abusos, invasões de limites e emoções reprimidas podem ficar armazenadas no campo corporal, especialmente no sistema ginecológico feminino. O útero, nesse contexto, é entendido como um importante campo de memória do feminino.
Quando essas memórias não encontram espaço para serem acolhidas e elaboradas, o corpo passa a expressar sinais. Muitas vezes, o adoecimento surge como um pedido de escuta — não apenas do físico, mas da história emocional que aquela mulher carrega.
Por isso, falar sobre autocuidado hoje é falar sobre consciência corporal, emocional e energética. É entender que cuidar do corpo também é cuidar das experiências que ele viveu e das emoções que precisaram ser guardadas para sobreviver.
Dentro dessa visão ampliada de cuidado com o feminino, surge a Mesa Uterina, uma ferramenta terapêutica integrativa que propõe olhar para além do sintoma apresentado. Nesse protocolo, a mulher é acolhida de forma individual, e o foco está em identificar o conflito emocional ou sistêmico que pode estar por trás da queixa ginecológica ou do desconforto relatado.
A partir dessa escuta, são desenvolvidos protocolos personalizados de harmonização e limpeza energética, sempre respeitando a história, o tempo e os limites de cada mulher. Trata-se de um trabalho complementar, que não substitui acompanhamentos médicos, mas amplia o olhar sobre a saúde feminina, integrando corpo, emoção e consciência.
Falar sobre autocuidado feminino é, portanto, falar sobre dignidade, escuta e reconexão. É permitir que a mulher deixe de ser apenas forte e passe a ser cuidada. O corpo fala — e aprender a ouvi-lo é um dos caminhos mais profundos de autocuidado que existem.
*Márcia Oliveira de Campos é terapeuta integrativa, mentora de mulheres e palestrante. Atua há anos com desenvolvimento emocional, inteligência emocional, terapias sistêmicas e cuidado com o feminino. https://www.instagram.com/empoderandomulheresmarcia - Contato: (65) 99912-6501

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