Osteoporose: Como os hormônios influenciam a saúde dos ossos. Homens e mulheres enfrentam riscos diferentes
A osteoporose é uma doença silenciosa que enfraquece os ossos ao longo do tempo, reduzindo sua densidade e aumentando o risco de fraturas. Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento feminino, especialistas alertam que a condição também representa um problema importante para os homens, ainda que por mecanismos e em momentos diferentes da vida. No centro dessa discussão estão os hormônios, responsáveis por regular o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do tecido ósseo.
O esqueleto humano está longe de ser uma estrutura estática. Ao longo de toda a vida, os ossos passam por um processo contínuo de renovação. De um lado, células chamadas osteoblastos produzem tecido ósseo novo e de outro, os osteoclastos removem o tecido antigo.
Para Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica e CEO da bio meds Brasil, esse equilíbrio depende de diversos fatores, entre eles alimentação, prática de atividade física, exposição ao sol e, principalmente, da ação hormonal.
"Nas mulheres, o estrogênio exerce papel decisivo na preservação da massa óssea. Esse hormônio reduz a atividade dos osteoclastos, responsáveis pela reabsorção dos ossos, ajudando a manter a estrutura óssea resistente. Durante a fase reprodutiva, essa proteção é relativamente eficiente. O cenário muda, porém, com a chegada da menopausa. A queda abrupta na produção de estrogênio acelera a perda de massa óssea. Nos primeiros cinco a dez anos após a menopausa, muitas mulheres podem perder entre 10% e 20% da densidade mineral dos ossos, tornando-se mais vulneráveis a fraturas, especialmente no quadril, na coluna e no punho. É justamente por esse motivo que a osteoporose é mais frequente no sexo feminino e costuma surgir mais cedo", esclarece a cientista.
Além da menopausa natural, situações como menopausa precoce, retirada cirúrgica dos ovários e alguns tratamentos oncológicos que reduzem os níveis hormonais também aumentam significativamente o risco da doença.
Nos homens, o processo costuma ser mais lento. A testosterona, principal hormônio masculino, também contribui para a manutenção da massa óssea, tanto diretamente quanto por sua conversão parcial em estrogênio, hormônio igualmente importante para o metabolismo ósseo masculino. Diferentemente do que ocorre nas mulheres, a redução hormonal acontece de forma gradual ao longo do envelhecimento, sem uma interrupção brusca.
Essa característica faz com que a osteoporose masculina geralmente apareça em idade mais avançada. Ainda assim, quando ocorre, tende a ser subdiagnosticada. Muitos homens só descobrem a doença após sofrerem uma fratura, momento em que o comprometimento ósseo já está instalado.
"Embora a incidência seja menor entre os homens, as consequências podem ser ainda mais graves. Após fraturas de quadril, por exemplo, a mortalidade masculina é superior à observada entre mulheres, em parte porque eles costumam apresentar mais doenças associadas e recebem o diagnóstico mais tardiamente", confirma a especialista.
Além das alterações hormonais naturais do envelhecimento, diversas condições podem acelerar a perda óssea em ambos os sexos. Entre elas estão doenças da tireoide, hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, doenças inflamatórias crônicas, insuficiência renal, consumo excessivo de álcool, tabagismo e uso prolongado de medicamentos como os corticosteroides.
No caso dos homens, a redução importante da testosterona, conhecida como hipogonadismo, representa uma das principais causas de osteoporose secundária. Já nas mulheres, distúrbios que provocam ausência prolongada da menstruação, seja por alterações hormonais, excesso de atividade física ou baixo peso corporal, também podem comprometer a saúde óssea.
A prevenção começa cedo. O pico de massa óssea é alcançado aproximadamente até os 30 anos de idade. Quanto maior essa reserva construída durante a juventude, menor será o impacto das perdas naturais que acompanham o envelhecimento. Por isso, alimentação rica em cálcio, níveis adequados de vitamina D, prática regular de exercícios — especialmente atividades com impacto e fortalecimento muscular — e abandono do cigarro são estratégias fundamentais ao longo de toda a vida.
O diagnóstico é realizado principalmente por meio da densitometria óssea, exame capaz de medir a densidade mineral dos ossos antes mesmo do surgimento de fraturas. A avaliação costuma ser indicada para mulheres após a menopausa, homens a partir dos 70 anos ou antes dessa idade quando existem fatores de risco importantes.
Quando a doença é confirmada, o tratamento pode incluir suplementação de cálcio e vitamina D, medicamentos que reduzem a reabsorção óssea ou estimulam a formação de tecido ósseo novo, além da correção de alterações hormonais quando clinicamente indicada. A terapia hormonal pode beneficiar algumas mulheres na menopausa, mas sua indicação deve ser individualizada, considerando riscos e benefícios.
"Apesar de ser frequentemente lembrada como uma doença feminina, a osteoporose exige atenção de toda a população. As diferenças hormonais explicam por que homens e mulheres apresentam padrões distintos de perda óssea, mas não eliminam o risco para nenhum dos dois. O envelhecimento da população torna ainda mais importante o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos que preservem a saúde dos ossos ao longo da vida, reduzindo o número de fraturas e preservando a autonomia na terceira idade", conclui Izabelle Gindri.
Fonte: Verônica Bittencourt
Dialeto Comunicação

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