Retinopatia diabética pode avançar sem sintomas: acompanhamento oftalmológico ajuda a proteger a visão
Avaliação da retina permite identificar alterações antes da perda visual; controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol também é fundamental.
São Paulo, setembro de 2026 - No Dia Mundial da Retina, celebrado em 26 de setembro, especialistas reforçam um alerta importante para quem tem diabetes: a retinopatia diabética pode se desenvolver sem dor e sem alterações perceptíveis na visão. A doença afeta os pequenos vasos da retina, tecido localizado no fundo do olho responsável por captar a luz e iniciar a formação das imagens. Por isso, a avaliação oftalmológica periódica é essencial mesmo quando a pessoa enxerga bem.
A 11ª edição do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes estima que 16,6 milhões de adultos de 20 a 79 anos viviam com diabetes no Brasil em 2024, o sexto maior contingente do mundo. A projeção chega a aproximadamente 24 milhões em 2050. Uma revisão sistemática global publicada na revista Ophthalmology estimou que cerca de 22% das pessoas com diabetes apresentam algum grau de retinopatia e pouco mais de 6% têm formas que ameaçam a visão. Esses percentuais variam conforme o tempo de doença, o controle clínico e a população estudada.
"Costumo dizer que o exame da retina funciona como um espelho de como o diabetes está afetando o organismo. O fundo do olho é um dos poucos locais do corpo em que conseguimos observar diretamente pequenos vasos sanguíneos de forma não invasiva. Como a retina é um tecido muito delicado e altamente vascularizado, alterações discretas causadas pelo diabetes podem ser identificadas antes mesmo de a pessoa perceber qualquer mudança na visão. Podemos encontrar pequenos vazamentos e obstruções e, em fases mais avançadas, inchaço da mácula, hemorragias e vasos anormais", explica o médico oftalmologista, professor e coordenador de Oftalmologia da Faculdade São Leopoldo Mandic, Dr. Cleso J. M. C. Andrade Filho. O exame da retina não substitui o acompanhamento clínico nem os exames laboratoriais, mas pode revelar sinais importantes de lesão dos pequenos vasos causada pelo diabetes.
O momento do primeiro exame e a frequência do acompanhamento não são iguais para todos. No diabetes tipo 2, a retina deve ser avaliada já no diagnóstico, pois a doença pode estar presente há anos. No diabetes tipo 1, a primeira avaliação costuma ser indicada até cinco anos após o início da doença. Depois, o oftalmologista define o intervalo conforme os achados e o controle clínico. Para muitos pacientes, o acompanhamento é anual; pode ser mais frequente se houver retinopatia ou progressão e, em casos estáveis com exames repetidamente normais, chegar a intervalos de um a dois anos. Mulheres que já tinham diabetes antes da gestação precisam de avaliação antes de engravidar ou no início da gravidez e de acompanhamento individualizado.
O exame do fundo do olho com dilatação das pupilas permite ao oftalmologista observar a retina e o nervo óptico. Fotografias da retina podem auxiliar o rastreamento, mas resultados alterados ou imagens inadequadas exigem avaliação oftalmológica. Quando necessário, exames como a tomografia de coerência óptica e a angiografia, ajudam a identificar inchaço, falta de circulação ou vazamento dos vasos.
O tratamento depende do estágio da doença. Alterações iniciais podem exigir apenas acompanhamento e melhor controle clínico. Nos casos indicados, podem ser utilizadas injeções intraoculares de medicamentos, tratamento a laser ou cirurgia de vitrectomia. Essas medidas podem estabilizar a doença e, em algumas situações, melhorar a visão, mas nem sempre recuperam perdas já estabelecidas. "Diagnosticar antes dos sintomas amplia a chance de preservar a visão e permite tratar no momento adequado", afirma Andrade Filho.
Além das consultas, reduzir o risco de progressão depende do controle individualizado da glicemia, da pressão arterial e do colesterol, do uso correto das medicações, da prática de atividade física conforme orientação profissional e de não fumar. Visão embaçada ou distorcida, aparecimento súbito de pontos escuros, manchas ou imagens semelhantes a teias de aranha e qualquer perda repentina de visão exigem atendimento oftalmológico rápido. Ainda assim, o recado principal permanece: quem tem diabetes não deve esperar sintomas para cuidar da retina.
Sobre a São Leopoldo Mandic
Considerada, por 15 anos consecutivos, uma das dez melhores instituições de ensino superior do país segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, reúne, em seu corpo docente, professores doutores com vasta produção científica formados pelas melhores instituições de ensino do Brasil e do exterior. Estruturada com laboratórios de última geração, clínicas odontológicas completas, cenários de prática em hospitais e Unidades Básicas de Saúde conveniados, a instituição oferece aos alunos vivência prática nos cursos de Odontologia e de Medicina desde o 1º ano, bem como atividades de pesquisa e prestação de serviços comunitários. Dispõe de laboratórios de simulação realística, recursos modernos para diagnóstico e treinamento e HUB de inovação, que estão a serviço dos cursos de graduação e pós-graduação. Conta também com projetos de extensão como o Barco da Saúde, que leva atendimento médico e odontológico às comunidades carentes. A Faculdade São Leopoldo Mandic faz parte do Grupo Mandic, que possui outras nove unidades de pós-graduação distribuídas pelo país e uma em Portugal. Também fazem parte do Grupo mais três Faculdades de graduação em Medicina, nas cidades de Araras-SP, Limeira-SP e a Faculdade de Medicina do Sertão (FMS) em Arcoverde-PE.
Por Assessoria de Imprensa Grupo Mandic:
InPress Porter Novelli

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