Setembro Dourado: histórias de cura mostram avanços no tratamento do câncer infantojuvenil
Pacientes do Hospital Moinhos de Vento relatam suas trajetórias após a doença; diagnóstico precoce, terapias mais precisas e acompanhamento especializado ampliam possibilidades de cura e qualidade de vida.
Aos 16 anos, Rafael Sukster viu a rotina mudar de uma hora para outra com o diagnóstico de câncer. Era 2020, estava no segundo ano do Ensino Médio e vivia, como tantos adolescentes, as incertezas impostas pela pandemia. O tratamento acrescentou um novo desafio àquele período, mas também acabaria mudando os rumos de sua vida. Hoje, aos 22 anos, Rafael está no quarto ano de Medicina e já atende pacientes durante a graduação.
A escolha profissional veio justamente da experiência que teve do outro lado do cuidado. Antes da doença, Medicina nunca havia sido uma possibilidade, seu plano era cursar Direito. Durante o tratamento no Hospital Moinhos de Vento, no entanto, a relação estabelecida com médicos e demais profissionais despertou um novo interesse.
“Foi depois do meu tratamento que percebi como era bonita essa profissão. A maneira como eu fui tratado mudou minha concepção de vida e eu percebi que queria fazer aquilo, ajudar e fazer por outras pessoas o que fizeram por mim”, conta. A experiência como paciente também influencia a forma como hoje se relaciona com quem atende. “Eu já estive naquele lado e quero dar tudo de melhor que puder para o paciente.”
Histórias como a de Rafael ajudam a reforçar uma das mensagens do Setembro Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil: falar sobre a doença também é falar sobre cura, retomada da vida e futuro.
A coordenadora da Oncologista Pediátrica do Hospital Moinhos de Vento, Dra. Jiseh Loss destaca que os resultados obtidos atualmente são consequência de avanços acumulados ao longo de décadas. Entre eles estão a definição mais precisa do risco de cada paciente, o uso de características genéticas e moleculares dos tumores para orientar o tratamento, o desenvolvimento de novas classes de medicamentos, imunoterapias, transplantes de células-tronco hematopoiéticas e o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e de radioterapia.
Leucemias linfoblásticas agudas, linfoma de Hodgkin, retinoblastoma e tumor de Wilms estão entre os cânceres pediátricos que apresentam atualmente maiores chances de cura. “A possibilidade de ajustar a intensidade do tratamento ao risco real de cada criança e incorporar novas terapias têm contribuído para melhorar os resultados e, ao mesmo tempo, reduzir exposições desnecessárias”, explica a coordenadora.
Da dor nas costas ao fim do tratamento
Samuel Bitdinger tinha 15 anos quando recebeu o diagnóstico, em 2020. O sinal inicial parecia pouco específico: dores nas costas. A persistência do sintoma levou à investigação até a descoberta de um sarcoma de Ewing na costela.
O tratamento durou aproximadamente nove meses e envolveu quimioterapia e cirurgia. Foram seis ciclos de quimioterapia antes do procedimento cirúrgico e outros oito posteriormente. Como tudo aconteceu durante a pandemia, Samuel recorda que sua rotina já estava bastante restrita. “Eu estava em casa ou no hospital basicamente, então acabou não afetando tanto minha rotina”, lembra.
Após o término do tratamento, permaneceu por cinco anos realizando exames periódicos de acompanhamento. Hoje, olha para a própria trajetória como uma possibilidade de encorajamento para quem recebe o mesmo diagnóstico. “Acho que qualquer história de alguém que passou por isso e deu tudo certo pode ajudar quem vai passar ou quem está passando por isso.”
A persistência de sintomas aparentemente comuns merece atenção, ressalta a Dra. Jiseh. Palidez, fadiga prolongada, febre sem causa definida, perda de peso, sangramentos anormais, aumento de linfonodos, dores ósseas persistentes, massas palpáveis, cefaleias progressivas acompanhadas de vômitos ou alterações neurológicas e leucocoria — o reflexo branco na pupila — estão entre os sinais que podem justificar uma investigação mais aprofundada.
“O câncer infantil muitas vezes se apresenta com sintomas inespecíficos, semelhantes aos de condições benignas comuns na infância. Por isso, é importante estar atento especialmente à persistência desses sinais”, afirma.
Um transplante pioneiro e uma vida reconstruída
Gabriella Paravisi Mazzocchi tinha apenas 6 anos quando, em dezembro de 1999, foi diagnosticada com neuroblastoma de alto risco em estágio 4, localizado inicialmente na glândula suprarrenal esquerda e já com metástases nos ossos e na medula.
A trajetória foi longa. Gabriella enfrentou quimioterapia, complicações graves durante o tratamento e, posteriormente, retomou a terapia. Em julho de 2001, aos 7 anos e 11 meses, tornou-se a primeira paciente submetida a um transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas no Hospital Moinhos de Vento — procedimento conhecido, à época, como autotransplante de medula óssea.
Foram cerca de 30 dias em isolamento durante o transplante e aproximadamente 200 dias de hospital entre internações e retornos ao longo de todo o tratamento. Depois, vieram a volta à escola e a reconstrução da rotina. Gabriella permaneceu em acompanhamento e, dez anos após o tratamento, foi liberada do risco de recidiva da doença.
Muitas das lembranças daquele período chegaram até ela pelos relatos da família. Só recentemente soube que havia sido a primeira paciente a realizar o transplante autólogo no Moinhos de Vento. “Me senti importante quando fiquei sabendo”, conta.
Qualidade de vida
Histórias como a de Gabriella, Samuel e Rafael também representam uma transformação importante na oncologia pediátrica. Hoje, o objetivo não é apenas alcançar a cura da doença, mas permitir que crianças e adolescentes cheguem à vida adulta com a melhor qualidade de vida possível.
Por isso, o acompanhamento não termina com a última quimioterapia ou com a alta hospitalar. Segundo a Dra. Jiseh, pacientes curados precisam de seguimento de longo prazo para identificar possíveis efeitos tardios do tratamento, que podem envolver aspectos cardiovasculares, renais, crescimento, fertilidade e o risco de outras neoplasias.
“Para alcançarmos as melhores chances de cura, é fundamental que a criança com câncer seja tratada em um centro de referência em oncologia pediátrica, com equipe multidisciplinar e protocolos internacionalmente reconhecidos. E a jornada não termina no fim do tratamento. O acompanhamento a longo prazo faz parte do cuidado para assegurar que essa criança curada tenha a melhor qualidade de vida possível na vida adulta”, reforça a oncologista.
Alinhado ao constante avanço da medicina, o Hospital Moinhos de Vento consolida sua atuação na Oncopediatria oferecendo uma linha de cuidado completa que vai desde o diagnóstico até as mais avançadas terapias, além de técnicas cirúrgicas inovadoras, transplante de medula óssea e imunoterapia.
Para Rafael, a mensagem para quem está começando essa caminhada é simples e vem da própria experiência: “Tudo pode dar certo”. Anos depois do diagnóstico, o adolescente que observava de um leito o trabalho da equipe de saúde agora se prepara para ocupar o outro lado dessa relação, desta vez, de jaleco.
Sobre o Hospital Moinhos de Vento
Com o propósito de Cuidar das Pessoas, integrando assistência, pesquisa e educação, o Hospital Moinhos de Vento, fundado em 1927, foi o segundo hospital do país acreditado pela Joint Commission International (JCI), sendo reacreditado pela oitava vez consecutiva em 2023. Conta com um dos parques robóticos multiplataforma mais diversificados da América Latina e é referência nacional em práticas sustentáveis no setor hospitalar, sendo a primeira instituição do Brasil a construir, em seu complexo, uma Central de Transformação de Resíduos. É um dos hospitais de referência do país segundo o Ministério da Saúde e o único fora do eixo Rio-São Paulo a integrar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Em 2026, conquistou a certificação Magnet Recognition Program®️, um dos mais importantes reconhecimentos internacionais de excelência em enfermagem, e novamente foi reconhecido entre os melhores hospitais do mundo pelo ranking da revista Newsweek, consolidando sua posição como o melhor hospital da Região Sul e entre os principais do Brasil. Também eleito a melhor empresa do Brasil no segmento Saúde pelo Anuário Época Negócios. Na América Latina, foi reconhecido entre os melhores hospitais do continente pela Latam Business Conference (Top Ranking Latam Best Hospitals) e destacado pela Intellat como referência em telemedicina e experiência do paciente. Também reconhecido pela MIT Technology Review Brasil como uma das organizações mais inovadoras do país (Innovative Workplaces 2025), sendo a única instituição de saúde entre as selecionadas. Combinando tradição, inovação e compromisso social, o Hospital Moinhos de Vento consolida-se como uma das principais instituições de saúde da América Latina. Saiba mais no nosso site e acompanhe os nossos conteúdos no LinkedIn e Instagram.
Por Laura Alegre / Luisa Rubbin - Assessoria de Imprensa - FSB Comunicação
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