CLIMATÉRIO: seis em cada dez mulheres relatam falhas de memória
Neuropsicóloga que avalia atenção, sono e clareza mental na maturidade explica como separar “cansaço” de queixa cognitiva. Cerca de 30 milhões de brasileiras estão na faixa etária do climatério. Anelise Pirola, neuropsicóloga especialista em saúde mental e longevidade, defende que o sono entre na avaliação da saúde do cérebro e apresenta o método que usa para investigar o problema.
São Paulo, outubro de 2026 - Acordar várias vezes durante a noite, demorar a pegar no sono e sentir a mente “embaçada” no dia seguinte costumam ser tratados como parte inevitável do climatério. A ciência confirma que as queixas são frequentes, mas mostra que têm explicação e manejo. Para a neuropsicóloga Anelise Pirola, especialista em longevidade e saúde mental, o ponto central é outro: quem sofre com esses sintomas precisa de uma avaliação que diga o que está acontecendo com o cérebro, e não só de dicas de higiene do sono.
O tamanho do problema
Segundo o IBGE, cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil têm entre 45 e 55 anos, faixa em que o climatério costuma começar. Uma revisão apresentada em conferência de consenso dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) apontou problemas de sono em 16% a 42% das mulheres na pré-menopausa, 39% a 47% na perimenopausa e 35% a 60% na pós-menopausa. No Brasil, um estudo da Unifesp com polissonografia, feito com amostra pequena de 33 mulheres na pós-menopausa, encontrou insônia relatada por 61% das participantes e confirmada pelo exame em 83%, sinal de que o problema pode ser maior do que a própria mulher percebe.
“Muitas mulheres chegam ao consultório achando que dormir mal e esquecer as coisas faz parte do pacote e que só resta aguentar. Não é bem assim. Dormir mal tem causa, e a queixa de memória merece ser investigada com critério, porque o sono, o humor e a atenção conversam o tempo todo”, afirma Anelise Pirola.
O impacto vai além do cansaço. Cerca de 60% das mulheres relatam problemas de memória durante a transição menopausal, segundo o SWAN. Os testes mostraram que o desempenho cognitivo estagna na perimenopausa e volta a evoluir depois da menopausa, o que indica que a “névoa mental” não é sinal de demência. Estudos apontam associação entre sono ruim e pior desempenho em memória verbal e atenção na pós-menopausa. No próprio SWAN, porém, a gravidade dos distúrbios do sono nem sempre explicou sozinha as notas nos testes, e humor, ansiedade, ondas de calor e depressão também pesam. É essa complexidade que, na visão de Anelise, exige avaliação individualizada.
O que a especialista avalia e desenvolve
Anelise explica que a avaliação neuropsicológica, presencial e à distância, que mapeia atenção, memória e funções executivas, ajuda a distinguir uma queixa ligada a sono, estresse e sobrecarga de uma alteração que merece investigação médica. Esse tipo de avaliação também é indicado, segundo ela, em situações pouco discutidas, como a queixa cognitiva que algumas pacientes relatam após a quimioterapia, que costuma passar despercebida e afeta a volta ao trabalho e o desempenho profissional.
“O sono é uma peça importante de um quebra-cabeça maior, e justamente por isso precisa entrar na avaliação”, afirma Anelise.
A especialista destaca que são três principais ajustes para dormir melhor. O primeiro é resfriar o quarto e a cama, com tecidos leves e camadas removíveis para reduzir o impacto dos calorões, os conhecidos fogachos. O segundo é regular o relógio biológico: acordar sempre no mesmo horário, pegar luz natural pela manhã e diminuir luzes e telas na última hora antes de dormir. O terceiro é cuidar do fim do dia, com cafeína apenas até o almoço, sem álcool à noite (que fragmenta o sono), jantar leve e exercício físico regular, longe da hora de deitar.
Quando buscar ajuda
Os sinais de alerta incluem dificuldade para dormir ou despertares frequentes em três noites por semana ou mais, por cerca de três meses, calorões intensos que interrompem o sono toda noite, roncos altos, pausas na respiração ou sonolência excessiva de dia, e ansiedade, irritabilidade ou desânimo que pioram junto com o sono. A apneia merece atenção especial, já que é mais comum em homens, mas essa diferença diminui depois da menopausa. Falhas de memória e de atenção que atrapalham o trabalho e a rotina também pedem investigação.
O primeiro passo é consultar ginecologista ou endocrinologista e, quando necessário, um médico do sono. Se a queixa cognitiva persistir, a avaliação neuropsicológica ajuda a orientar o cuidado. A terapia hormonal, quando indicada, é uma decisão individual e médica. “A mulher no climatério não precisa esperar a mente ‘cobrar a conta’ para cuidar do sono. Quanto antes ela entende o que está acontecendo, mais simples fica o caminho para recuperar o descanso e a clareza mental, e isso vale para a vida pessoal e para a profissional. Cuidar do cérebro na maturidade começa por uma boa noite de sono”, conclui a neuropsicóloga.
Sobre a Anelise Pirola – Especialista em Neurofeedback
Anelise Pirola é neuropsicóloga, idealizadora do Instituto AIDA e especialista em longevidade saudável, com vasta experiência em Biorregulação e Neurofeedback. É reconhecida por aplicar o treinamento cerebral para otimizar a performance cognitiva e emocional de indivíduos, tratando condições como déficit de atenção, ansiedade e insônia, e maximizando a performance executiva no ambiente corporativo e pessoal.
Por Janaina Finardi - Sphera Comunicação e Reputação

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