Transplante de Medula Óssea: quais são os principais cuidados após o procedimento em crianças e adolescentes?
Maior hospital pediátrico do país enfatiza os cuidados específicos para reduzir o risco de infecções e outras complicações.
Curitiba, 8 de outubro de 2026 – A alta hospitalar após o transplante de medula óssea (TMO) é um momento muito aguardado pelas famílias, mas também traz uma série de dúvidas: o que a criança pode comer? Quando fazer a vacinação? Pode voltar à escola? E quais sinais exigem atenção médica?
Embora a criança esteja em casa, o tratamento ainda exige cuidados específicos enquanto o sistema imunológico se recupera, para reduzir o risco de infecções e outras complicações. Referência nacional e um dos maiores centros do Brasil e da América Latina em transplante de medula óssea em pacientes pediátricos, o Hospital Pequeno Príncipe enfatiza os principais cuidados que devem ser seguidos em casa após o procedimento.
Por que os cuidados continuam depois do transplante?
Quando a medula transplantada começa a funcionar, o organismo passa a produzir células de defesa. No entanto, essas células ainda precisam de tempo para amadurecer e atuar de maneira eficiente. Por isso, a recuperação do sistema imunológico após o transplante de medula óssea acontece de forma gradual.
Os primeiros cem dias depois do TMO são considerados um período de cuidados mais intensos. Quando o paciente está bem e não apresenta complicações que exijam permanência hospitalar, a equipe pode autorizar a alta para casa. Mesmo assim, as medidas para reduzir o risco de infecções continuam.
“Por volta dos seis meses, quando os exames mostram uma boa recuperação imunológica e não há outras condições que exijam restrições, começamos a liberar algumas atividades e iniciar a retomada do calendário de vacinação específico para pacientes transplantados”, explica a médica responsável pelo Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Pequeno Príncipe, Cilmara Cristina Kuwahara.
É importante lembrar que não existe um prazo único para todas as crianças. Cada paciente é avaliado individualmente, e as liberações dependem dos exames, da condição clínica, das complicações apresentadas e dos medicamentos utilizados.
Quais são os principais cuidados após o transplante de medula óssea em crianças?
A alta hospitalar não significa o fim do acompanhamento. Mesmo em casa, a criança continua realizando consultas e exames para que a equipe acompanhe a recuperação da medula e do sistema imunológico e o surgimento de possíveis complicações.
Por isso, a principal orientação é seguir individualmente as recomendações da equipe responsável pelo transplante e entrar em contato sempre que surgir alguma dúvida ou alteração no estado de saúde da criança.
Limpeza do ambiente
O ambiente doméstico deve permanecer limpo, seco, arejado e livre de mofo. Para evitar que a poeira fique suspensa no ar, a orientação é utilizar pano úmido em vez de vassoura. Também é recomendado evitar cortinas, tapetes, almofadas e brinquedos de pano no quarto, bem como trocar a roupa de cama pelo menos duas vezes por semana. Sempre que possível, é indicado que o paciente tenha um banheiro exclusivo. Quando isso não for possível, a limpeza diária do ambiente será fundamental.
Higiene pessoal e da pele
O banho deve ser realizado diariamente, com xampu e sabonete neutros. Se houver cateter, ele precisa ser protegido para não entrar em contato com a água. As toalhas devem ser de uso exclusivo do paciente e trocadas diariamente. Para evitar irritações, são indicados hidratantes e desodorantes sem perfume e sem álcool. Perfumes e talcos precisam ser evitados. Também é importante manter as unhas curtas e limpas.
Saúde bucal
Após o transplante, a redução da produção de saliva pode aumentar o risco de cáries. Por isso, o acompanhamento odontológico é importante e deve ser realizado conforme orientação médica. Os lábios também podem precisar de hidratação, com produtos adequados, como manteiga de cacau, óleo mineral ou protetor labial com filtro solar. A recomendação é utilizar escova de dentes extramacia e creme dental infantil, realizando a higiene depois das refeições e antes de dormir.
Higiene das mãos
Lavar as mãos corretamente é uma das principais formas de prevenir infecções. A higiene deve ser feita com água corrente e sabão, esfregando as palmas, entre os dedos e embaixo das unhas, especialmente: antes e depois das refeições, de manipular as medicações e de ir ao banheiro. E após brincar e estudar.
Alimentação
Nos primeiros períodos posteriores ao TMO, a alimentação precisa ser preparada preferencialmente em casa, seguindo as orientações do médico e do nutricionista. O objetivo é reduzir o risco de contaminação por microrganismos. Os alimentos devem ser frescos, bem higienizados e adequadamente cozidos. Alimentos com maior risco de contaminação, como carnes malpassadas, peixe cru, embutidos e alguns produtos enlatados, podem permanecer restritos por mais tempo. Frutas, verduras e saladas também são introduzidas de acordo com a avaliação da equipe.
Uso de máscara
O paciente deve utilizar máscara descartável até que a equipe médica autorize a suspensão. Ela é especialmente importante durante consultas, passeios e quando houver contato com outras pessoas. Em casa, pode ser dispensada quando a criança estiver na presença dos familiares que convivem habitualmente com ela.
Animais de estimação
O contato com animais deve ser evitado inicialmente. Pelos, fezes e urina podem carregar microrganismos capazes de provocar infecções em um organismo com a imunidade comprometida. Em geral, a equipe espera pelo menos os primeiros cem dias para avaliar a possibilidade de retomada do contato. No entanto, a liberação depende da condição clínica da criança, das características do animal e da realidade de cada família.
Vacinação
Antes de liberar as vacinas, a equipe avalia a recuperação do sistema imunológico por meio de exames e outros critérios clínicos. A partir dessa avaliação, é elaborado um calendário vacinal específico para pacientes transplantados, seguindo as recomendações das sociedades médicas especializadas.
Medicamentos
Os medicamentos prescritos devem ser administrados nos horários e nas doses orientadas pela equipe. Nenhum medicamento pode ser interrompido, alterado ou substituído por conta própria. Se a criança apresentar enjoos, vômitos ou qualquer dificuldade para tomar os remédios, a família deve entrar em contato com a equipe.
Saúde emocional
O período pós-transplante pode representar uma grande mudança na rotina da criança e de toda a família. Restrições de contato social, afastamento da escola, mudanças na alimentação e limitações para brincar ou realizar determinadas atividades podem gerar frustração ou insegurança. Por isso, quando necessário, a família pode conversar com a equipe sobre suporte psicológico e outras formas de apoio durante a recuperação.
Atividade física
Apesar das restrições, é importante evitar que a criança permaneça o dia todo deitada ou parada. Pequenas atividades dentro de casa podem ajudar na manutenção da autonomia e da massa muscular. A atividade física deve sempre ser adaptada à idade, às condições clínicas e à recuperação de cada paciente, evitando risco de queda ou possibilidade de ferimentos.
Exposição ao sol
A exposição direta ao sol é restrita nos dois primeiros anos após o TMO. A radiação solar está diretamente ligada ao surgimento, reativação ou piora da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH).
Volta às aulas
A volta à escola e a outras atividades com maior contato social geralmente é considerada a partir de aproximadamente seis meses, desde que o paciente apresente boa recuperação imunológica e tenha iniciado o esquema de vacinação indicado. O objetivo é proteger a criança justamente durante a fase em que o sistema imunológico ainda está em recuperação.
O que evitar após o transplante de medula óssea em crianças?Contato com pessoas com doenças infectocontagiosas ou respiratórias, como gripe, COVID-19, sarampo e catapora.
Ambientes com aglomeração, como shoppings, cinemas, supermercados, lojas e outros locais públicos.
Excesso de visitas em casa.
Contato com animais de estimação, plantas e materiais de obras ou reformas.
Piscinas, praias, açudes e lagoas, até liberação médica.
Brincadeiras que possam provocar quedas, cortes ou outros ferimentos.
Exposição direta ao sol.
Uso de maquiagem, perfumes, cosméticos ou produtos que possam irritar a pele.
Quais sinais exigem atenção?
É importante procurar orientação diante de qualquer mudança no estado de saúde, como:febre igual ou superior a 37,8°C;
dor em qualquer parte do corpo;
alteração na cor ou no cheiro da urina;
dor ou ardência ao urinar;
sangramentos;
mudança na cor ou consistência das fezes;
alterações na pele ou na boca;
tosse ou falta de ar;
enjoo e vômitos;
contato com pessoas que tenham doenças infecciosas;
acidentes, cortes, queimaduras ou mordidas de animais;
alterações no cateter, como vermelhidão, secreção, sangramento ou inchaço.
Sobre o Pequeno Príncipe
Com sede em Curitiba (PR), o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais.
Com 369 leitos, sendo 76 de UTI, o Hospital promove 76% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 308 transplantes. Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria.
Junto com a Faculdades Pequeno Príncipe e com o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, compõe o Complexo Pequeno Príncipe. Essa atuação em assistência, ensino e pesquisa — conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo — tem transformado milhares de vidas anualmente, garantindo-lhe reconhecimento internacional.
Em 2026, o Pequeno Príncipe foi listado como um dos 63 melhores hospitais do mundo que atuam com pediatria (ou que atendem crianças) no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo sexto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também é reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde por meio de certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.
Desde 2019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Camila Hampf/Hospital Pequeno Príncipe

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