Como lidar com o diabetes tipo 1 em ambiente escolar?

O diagnóstico de diabetes em uma criança traz um mundo de preocupações para os pais. Desde as mais imediatas: como vou aplicar insulina? Como vou conseguir ver se meu filho está com hipoglicemia? E se o açúcar no sangue subir? Até preocupações um pouco menos imediatas, mas nem por isso menos importantes: será que ele vai aceitar o diagnóstico? E na escola, como vai ser?

Este texto trata justamente dessa última pergunta: E na escola? Como será? Bem, aqui vai um passo a passo!

Plano com a escola: o primeiro passo é uma conversa com a direção da escola sobre o diagnóstico e o tratamento que a criança está realizando no momento. Doses de insulina, grau de controle do diabetes, se a criança faz hipoglicemias, de quanto em quanto tempo precisa se alimentar... enfim, é importante que uma rotina do tratamento, alimentação e das condutas a serem adotadas em caso de emergências sejam passadas para a escola. Os contatos médicos, e claro, dos pais devem ser passados para que sejam facilmente acessados caso seja necessário. Em caso de hipoglicemia grave, é importante que seja mantido na escola um kit de emergência com Glucagon, para ser administrado prontamente. Aqui, é importante ajustar junto com a escola que este importante medicamento de segurança esteja disponível. O Centro Americano de Controle de Doenças tem disponível em seu site em Inglês o Guia para as escolas, orientando sobre hipoglicemia e hiperglicemia.

A preparação da criança: não existe uma idade específica para que a criança passe a assumir algumas tarefas do controle do seu diabetes. Existem crianças que desde muito cedo, com 5 ou 6 anos, já se sentem confortáveis de realizar a glicemia capilar (medir o diabetes), enquanto outras vão fazer um pouco mais tarde. O primeiro passo é que ela comece a demonstrar interesse e responsabilidade no controle da própria doença, a partir daí ela pode com a supervisão dos pais ou responsável, prosseguir medindo o diabetes e aplicando insulina já com a dose calculada por um adulto. Adolescentes, no geral, já se sentem mais responsáveis para calcular os próprios ajustes de doses de insulina. No entanto, não existe uma regra geral. O que vale é a observação caso a caso.

O que levar para a escola: uma sugestão é levar o glicosímetro com baterias extras (!), insulina, seringas ou canetas, lenços antissépticos de álcool 70%, balas em caso de hipoglicemia e água – a hidratação da criança com diabetes é sempre fundamental.

De olho no lanche: a própria criança com Diabetes deve ser orientada pelos pais e professores sobre sua alimentação nos intervalos e a qualidade destes alimentos. O foco é nos alimentos integrais, frutas e chás. Evitar o consumo de refrigerantes, bebidas artificialmente adoçadas e lanches com alto teor de gorduras e carboidratos simples (como farinhas brancas).

Rede de apoio: Colegas de classe, professores, funcionários todos são uma rede de apoio para que a criança se sinta segura no ambiente escolar. Os próprios colegas de classe muitas vezes são os primeiros a perceber episódios de hipoglicemia e, portanto, a sugestão é que devam receber orientação sobre procurar imediatamente o professor ou funcionário caso percebam alguma alteração com o amigo com diabetes. O treinamento de um professor junto às associações de apoio a diabéticos ou mesmo com o médico responsável pode solidificar o processo, cujo objetivo é sempre garantir o melhor desenvolvimento possível para esta criança. Tanto para o glicosímetro convencional, como para as crianças que usam o sensor contínuo de monitorização de glicose, vale explicar na escola como funcionam e quais medidas devem ser tomadas a depender dos valores vistos.

Com a volta às aulas, é importante que muitas rotinas dentro do ambiente escolar sejam revistas e renovadas. Abordar e acolher melhor a criança diabética no ambiente escolar é um assunto fundamental que precisa ser discutido, ampliado e faz parte do movimento das escolas Inclusivas. Torcemos para isso! Bom ano letivo!

Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologista
Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Portal da Sociedade Brasileira de Diabetes